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  • Luis Gomes

Brexit: mas o que é, de verdade?

Updated: Jun 8, 2018

Passado pouco mais de um ano desde o fatídico dia das eleições que levaram ao Brexit, o país continua inerte, sem saber de onde vai e para onde vai. Cada dia que passa sentimo-nos mais à deriva do que éramos, ou acreditávamos ser. A verdade é que esta ilha não se chegou a analisar como ilha antes de querer voltar a ser ilha. Saramago, na sua Jangada de Pedra, vê a Península Ibérica a se tornar numa ilha, à deriva pelo oceano, onde os povos ibéricos embarcam num processo de autoconhecimento de si mesmos. Sabendo, pois, quem são, e donde vieram, estarão preparados para saber para onde vão.


Será o Brexit a fenda no solo que separara estes povos do seu continente, e os lançará à deriva em busca da sua identidade? Poder-se-ão descobrir, saber quem são de verdade — mesmo sendo para se descobrirem como já eram, e não como se imaginavam ser?


É inegável que, para um português, a ideia de zarpar à descoberta do que haverá além-mar é aliciante, está-nos no sangue. E como nos descobrimos e ficamos a saber os nossos limites ao enfrentarmos o Outro, o desconhecido, talvez sejam até aliciantes as possibilidades que o Brexit oferecem. Aliás, é esse o único elemento digno de se contemplar neste caos.


Mas, depois de tudo dito e feito, isto de nos separarmos para nos conhecermos e nos podermos voltar a unir, é tudo um pouco muito retrógrada, a olhar para trás. As descobertas... já foram. Há que olhar em frente, não repetir o passado - bom ou mau. O futuro que se nos avizinha não é aliciante e cheio de possibilidades. É um futuro de abandono e isolamento.


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